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Um exemplo de project finance
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Quer aprender como se faz um Project Finance Non Recourses? Olhe
o exemplo da Rio Polímeros. O projeto conseguiu captar US$ 650 milhões
–do total de US$ 1,08 bilhão investidos– sem aportar garantias reais,
mas com um projeto extremamente trabalhado, que envolvia desde a tecnologia
de pirólise até os contratos de venda. São financiadores o americano
Exim Bank, o italiano Sace e o BNDES – outros US$ 430 milhões são
aportados pelos sócios Suzano (33%), Unipar (33%), Petrobras (16,5%)
e BNDES (16,5%).
Isso porque, num Project Finance Non Recourses, a única garantia do
investidor é o desempenho do projeto. Só que, em caso de insucesso,
ninguém quer ficar com uma planta petroquímica em construção, por
isso que, para conseguir captar uma quantia dessa, o projeto tem que
ser bem trabalhado, com todas as variáveis equacionadas. “O financiador
quer que o projeto entre em operação no prazo, que a tecnologia funcione
conforme o previsto, que a produção seja aquela prevista, que o mercado
também, e que os preços se comportem conforme previsto”, conta Roberto
Villa, superintendente da Rio Polímeros.
A primeira peça mitigadora do risco, para o emprestador, é o suprimento
de matéria-prima – em volume, tempo e especificação. Porque o financiador
quer a garantia do suprimento, pelo menos no período de re-pagamento
do empréstimo. Em seguida vem a certeza de que a planta será contruída,
dentro do prazo e do orçamento previsto, por isso o contrato com o
EPC precisa estar equacionado. “Dentro desse contrato de EPC, algumas
características são vitais, como as penalidades pelo não cumprimento
de prazos ou de preços, que têm que ser suficientes para que, se forem
executadas, o emprestador retome o dinheiro de volta”.
Para a implantação do projeto EPC foi selecionado o Consórcio ABB
Lummus / Snamprogetti, no qual a ABB Lummus lidera e responde pelo
contrato global, em regime de lump sum - turn key. A Snamprogetti
é a empresa credenciada pela ex-Union Carbide para construção e montagem
de processos com a tecnologia Unipol.
Não bastasse isso, a Rio Polímeros precisou contratar consultoria
internacional para atestar a previsão do mercado de polietileno no
Brasil e no mundo, no período 2004-2015. Outro ponto diz respeito
às tecnologias adotadas –no caso da Rio Polímeros a Lummus para pirólise
e a Univation para polimerização– precisavam ser reconhecidamente
competitivas.
Outro contrato, de off take com a tradding Vinmar, serviu como garantia
de geração de caixa – e em dólar. Serão 150 mil toneladas durante
os primeiros quatro anos de operação, e 100 mil toneladas nos seis
anos seguintes. “Você tem que preparar uma massa de informações, que
seja de extremo poder de convencimento técnico e financeiro”, conta
Villa.
Uma nova matéria-prima no cenário petroquímico
nacional
Até o início dos anos 80, a produção nacional não justificava um investimento
em um complexo petroquímico que utilizasse o gás natural como matéria
prima, e que fosse competitivo. Nesse cenário, três centrais petroquímicas
foram construídas, todas baseadas em nafta.
A exploração na Bacia de Campos trouxe novas perspectivas: já no final
da década de 1980, não só o volume, mas também os prognósticos da
produção permitiram os primeiros estudos de viabilidade de um complexo
baseado em gás –o teor de etano contido no gás natural produzido na
Bacia de Campos ultrapassa 9%.
Paralelamente, devido a ampliações nas centrais já existentes, o mercado
apontava oportunidades na linha de olefinas – principalmente em polietilenos.
“O volume de gás justificava, e o mercado apontava para a linha dos
polietilenos. Com isso, o projeto teve movimento para sensibilizar
os investidores”, conta Villa.
Empreendimento de US$ 1,08 bilhão, a Rio Polímeros contempla a implantação
de um complexo industrial destinado à produção de 540 mil toneladas
anuais de polietileno linear de baixa densidade e polietileno de alta
densidade, a partir de uma carga mista de etano e propano, fornecida
pela Petrobras –o contrato foi firmado com base na cotação Mont Belvieu,
com validade superior a dez anos.
O primeiro módulo da Unidade de Recuperação de Líquidos e Unidade
de Fracionamento de Líquidos já estão em operação – a Unidade de Recuperação,
instalada em Cabiúnas, irá separar o metano da corrente e enviar uma
“sopa” de 6 mil m³ para a Unidade de Fracionamento, na Reduc, de onde
serão fornecidos diariamente 1.050 toneladas de C2 e 850 toneladas
de C3 para a Rio Polímeros.
A carga será inicialmente processada em uma unidade de pirólise, dimensionada
para produzir 520 mil toneladas anuais de eteno, que será totalmente
consumido na unidade de polimerização. Outras 75 mil toneladas de
propeno serão comercializados com a Polibrasil, para a produção de
polipropileno. “Ao processar o etano e propano, uma certa quantidade
de propeno é produzida. Como a Polibrasil está ali do lado, ficou
natural o contrato de fornecimento”, conta o superintendente.
Na concepção do Projeto serão ainda gerados outros subprodutos: hidrogênio
(10 mil toneladas anuais) e gasolina de pirólise (37 mil toneladas).
Metade do hidrogênio será consumido pela própria Rio Polímeros e o
restante será repassado para a Reduc, juntamente com a gasolina, que
será incorporada ao pool de gasolina da refinaria.
Pré-marketing
Com as fundações já assentadas, o empreendimento atravessa a fase
de montagem mecânica. Tudo em dia para iniciar a produção a partir
de setembro de 2004. Mas antes disso, a empresa dá seus primeiros
passos na área comercial, ganhando mercado antes mesmo da conclusão
das obras do pólo. “A partir de março já receberemos carregamento
do exterior. Durante 18 meses estaremos fazendo o pré-marketing”.
A Rio Polímeros firmou um contrato com a Braskem, no valor de R$ 300
milhões, para o fornecimento de PEAD e PELBD, que serão utilizadas
como pré-marketing – o projeto prevê a comercialização das resinas
até o início da atividade operacional da empresa, em setembro do próximo
ano.
Acompanhando a fase de pré-marketing, a Rio Polímeros lançou sua marca
comercial – RioPol. E também prepara a implantação de um Centro de
Pesquisa, Desenvolvimento e Testes de produto para apoio à produção
e aos clientes. |
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