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Petrobras: de volta à segunda
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Passados dez anos do start do processo de privatização do setor
petroquímico nacional, a Petrobras continua com importância fundamental
–talvez até mais agora, depois da aquisição da petroleira argentina
Perez Companc, o que reforçou seu posicionamento no fornecimento de
nafta e etano às produtoras de eteno, além de render alguns ativos
petroquímicos.
Até 2001, a companhia detinha o monopólio no fornecimento de nafta
no País. Com a liberalização do mercado, a Copene –atual Braskem–
e a Copesul passaram a importar parte da matéria-prima como forma
de reduzir seus custos de produção. Nesse movimento, a Perez Companc
foi uma das alternativas mais interessantes que as centrais tiveram
para o fornecimento de nafta.
As negociações entre Petrobras e a Enron para a aquisição de ativos
da empresa norte-americana na América do Sul, paralisadas, poderiam
garantir uma participação de 66% na TGS, a segunda fornecedora de
gás para o pólo petroquímico de Bahia Blanca –33% das ações da TGS
já foram herdadas na aquisição da Perez Companc.
Mas a estratégia da Petrobras é definir uma posição que vá além do
papel de fornecedor de matérias-primas, e assim agregar valor ao petróleo
em uma cadeia mais nobre e rentável em tempos de baixas cotações do
petróleo. “Nossa missão é alcançar uma posição relevante em poliolefinas
no Cone Sul”, conta Carlos Alberto Fontes, presidente da Petroquisa
–braço da empresa para a área petroquímica.
Para atingir o objetivo, o primeiro passo será definir a carteira
de projetos segundo essa estratégia. Para isso, a subsidiária tem
um leque de opções e um montante inicialmente previsto em US$ 540
para 2003 a 2007. “Estamos revendo esse valor, para adequar à realidade
econômica da Petrobras, e à realidade econômica do país”, diz Carlos
Alberto Fontes.
A definição do posicionamento da Petrobras deverá ser fundamental
para a reestruturação do setor. Com a aquisição do controle da Perez
Companc, a companhia reforçou sua posição no mercado petroquímico:
no pacote de ativos da empresa, estão a Innova, além da Petroquímica
Argentina S.A. – Pasa, produtora integrada de resinas com plantas
em San Lorenzo e Zárate, e 40% da Petroquímica Cuyo, produtora de
polipropileno em Buenos Aires.
Até então, a participação da Petroquisa na segunda geração limitava-se
a uma participação na Petroquímica Triunfo. Agora, além das participações
na Braskem, a subsidiária também garantiu importante parcela na Rio
Polímeros – sem contar as participações na Copesul e Petroquímica
União. “A Innova é um complemento às atividades da Petroquisa”, limita-se
a comentar o presidente da Petroquisa.
Definidos, estão os investimentos na Rio Polímeros, onde a companhia
detém 16,66% do equity, e a produção de ácido acrílico em parceria
com a Basf –nesse caso, a participação é de 35%. Isso significa que
ainda há muito dinheiro para ser aplicado em outros projetos.
A partir daí, as opções são várias –e o presidente da Petroquisa garante
que a subsidiária não irá manter a ambigüidade de ter vários parceiros
no mesmo tipo de negócio. A posição definitiva deverá ser anunciada
até abril de 2005, quando se encerra o prazo fixado entre a companhia
e o consórcio Odebrecht-Mariani sobre sua posição na Braskem –caso
permaneça no empreendimento, a Petrobras tem a opção de aumentar sua
participação, com a integração de outros ativos, aporte financeiro,
ou aquisição de posições dos demais sócios.
O prazo para definir qualquer opção é necessário para uma avaliação
do empreendimento por, no mínimo, dois exercícios fiscais completos
antes de tomar a decisão. “Queremos ter uma idéia de como a companhia
vai se desempenhar. E esse prazo foi escolhido para termos dois balanços
completos. Sabemos que a Braskem possui algumas dificuldades iniciais
com relação ao endividamento, mas estamos otimistas que esta situação
seja transitória”, conta Carlos Alberto Fontes. |
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