Matéria de Capa - Edição 246 – Março de 2003 – Revista Petro & Química
Petrobras: de volta à segunda geração
Passados dez anos do start do processo de privatização do setor petroquímico nacional, a Petrobras continua com importância fundamental –talvez até mais agora, depois da aquisição da petroleira argentina Perez Companc, o que reforçou seu posicionamento no fornecimento de nafta e etano às produtoras de eteno, além de render alguns ativos petroquímicos.

Até 2001, a companhia detinha o monopólio no fornecimento de nafta no País. Com a liberalização do mercado, a Copene –atual Braskem– e a Copesul passaram a importar parte da matéria-prima como forma de reduzir seus custos de produção. Nesse movimento, a Perez Companc foi uma das alternativas mais interessantes que as centrais tiveram para o fornecimento de nafta.

As negociações entre Petrobras e a Enron para a aquisição de ativos da empresa norte-americana na América do Sul, paralisadas, poderiam garantir uma participação de 66% na TGS, a segunda fornecedora de gás para o pólo petroquímico de Bahia Blanca –33% das ações da TGS já foram herdadas na aquisição da Perez Companc.

Mas a estratégia da Petrobras é definir uma posição que vá além do papel de fornecedor de matérias-primas, e assim agregar valor ao petróleo em uma cadeia mais nobre e rentável em tempos de baixas cotações do petróleo. “Nossa missão é alcançar uma posição relevante em poliolefinas no Cone Sul”, conta Carlos Alberto Fontes, presidente da Petroquisa –braço da empresa para a área petroquímica.

Para atingir o objetivo, o primeiro passo será definir a carteira de projetos segundo essa estratégia. Para isso, a subsidiária tem um leque de opções e um montante inicialmente previsto em US$ 540 para 2003 a 2007. “Estamos revendo esse valor, para adequar à realidade econômica da Petrobras, e à realidade econômica do país”, diz Carlos Alberto Fontes.

A definição do posicionamento da Petrobras deverá ser fundamental para a reestruturação do setor. Com a aquisição do controle da Perez Companc, a companhia reforçou sua posição no mercado petroquímico: no pacote de ativos da empresa, estão a Innova, além da Petroquímica Argentina S.A. – Pasa, produtora integrada de resinas com plantas em San Lorenzo e Zárate, e 40% da Petroquímica Cuyo, produtora de polipropileno em Buenos Aires.

Até então, a participação da Petroquisa na segunda geração limitava-se a uma participação na Petroquímica Triunfo. Agora, além das participações na Braskem, a subsidiária também garantiu importante parcela na Rio Polímeros – sem contar as participações na Copesul e Petroquímica União. “A Innova é um complemento às atividades da Petroquisa”, limita-se a comentar o presidente da Petroquisa.

Definidos, estão os investimentos na Rio Polímeros, onde a companhia detém 16,66% do equity, e a produção de ácido acrílico em parceria com a Basf –nesse caso, a participação é de 35%. Isso significa que ainda há muito dinheiro para ser aplicado em outros projetos.

A partir daí, as opções são várias –e o presidente da Petroquisa garante que a subsidiária não irá manter a ambigüidade de ter vários parceiros no mesmo tipo de negócio. A posição definitiva deverá ser anunciada até abril de 2005, quando se encerra o prazo fixado entre a companhia e o consórcio Odebrecht-Mariani sobre sua posição na Braskem –caso permaneça no empreendimento, a Petrobras tem a opção de aumentar sua participação, com a integração de outros ativos, aporte financeiro, ou aquisição de posições dos demais sócios.

O prazo para definir qualquer opção é necessário para uma avaliação do empreendimento por, no mínimo, dois exercícios fiscais completos antes de tomar a decisão. “Queremos ter uma idéia de como a companhia vai se desempenhar. E esse prazo foi escolhido para termos dois balanços completos. Sabemos que a Braskem possui algumas dificuldades iniciais com relação ao endividamento, mas estamos otimistas que esta situação seja transitória”, conta Carlos Alberto Fontes.
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