Matéria de Capa - Edição 246 – Março de 2003 – Revista Petro & Química
Geração de caixa da Braskem passa
de R$ 2 bi
Em menos de seis meses a Braskem conseguiu reduzir seu endividamento e aumentar a geração de caixa –duas de suas maiores preocupações. O segredo? José Carlos Grubisich, o executivo que trocou uma importante posição mundial na Rhodia pela presidência de uma companhia que estava nascendo –mas que se projetava líder na região, com ativos avaliados em R$ 12 bilhões, produção de 4,3 milhões de toneladas de produtos petroquímicos, e um faturamento de R$ 8 bilhões.

Com a apresentação dos números relativos a 2002, o presidente conseguiu o que muita gente achava impossível: elevar o índice de confiança –retratado na valorização das ações da Braskem nos últimos dias.

Em 2002, a empresa concluiu a primeira etapa do processo de integração, correu atrás de novas alternativas para suprimento de matérias-primas, dobrou sua geração de caixa –vendendo até para seus concorrentes. Tudo isso num cenário desfavorável, de variação cambial, aumento nos preços das matérias-primas, restrições ao crédito e parada para manutenção. “Os resultados apresentados demonstram o acerto do modelo de gestão da Braskem, baseado na criação de valor, e confirmam o seu potencial de crescimento”, conta Grubisich.

Nascida a partir da integração da unificação dos ativos de primeira e segunda geração do pólo de Camaçari, a Braskem surge como líder no mercado de termoplásticos na América Latina, responsável pela produção de 50% de todo o PVC, de 36% do polipropileno e de 30% do polietileno da região. Só em exportações, a receita chegou a US$ 415 milhões em 2002.

Contando os 137 dias de sua criação, a Braskem já acumulou R$ 75 milhões –em bases anualizadas– das sinergias, do total de R$ 330 milhões identificados durante a fase de modelagem do seu processo de integração. “O processo de criação da Braskem tem trazido significativos ganhos de custo e de competitividade. Isso está demonstrado nos resultados das sinergias”.

O alinhamento dos preços de venda em relação ao mercado internacional e o aumento do volume de vendas elevaram a receita líquida da empresa para R$ 7 bilhões. A geração operacional de caixa, de R$ 2,1 bilhões, superou em 103% o montante de R$ 1 bilhão contabilizado no ano anterior.

A empresa vem trabalhando ainda na redução de seus custos de produção – que em 2002 aumentaram 29% em relação ao ano anterior, motivado principalmente pelo aumento de 106% no preço da nafta, em reais. A Braskem vem comprando nafta com prazos de pagamento, em média, de 52 dias. Neste mês, por exemplo, a empresa adquiriu um carregamento com prazo de 90 para o pagamento.

Cerca de 70% dos 4,2 milhões de toneladas de nafta consumida anualmente pela Braskem são fornecidas diretamente pela Petrobras –o contrato de fornecimento acertado com a Petrobras termina em 2007. O restante é comprado de fornecedores da África, Caribe e Argentina. A matéria-prima representou, no ano passado, 66% dos custos da empresa.

Mas a principal preocupação da empresa é alongar seu endividamento, que no final do ano passado estava em R$ 6,815 bilhões – 69% dolarizada. 34% dessa dívida –pouco mais que a receita líquida advinda com a venda de insumos básicos– tem prazo de vencimento ainda este ano. Estender o perfil de vencimento da sua dívida é uma forma que a Braskem teria para facilitar o acesso a novos financiamentos.

Plano quinqüenal

O Plano de Negócios da empresa para o período 2003-2007 estabelece como metas a melhora significativa em sua performance operacional e financeira. “O plano está alinhado com a melhoria da petroquímica no mercado internacional. O setor petroquímico vai entrar, já em 2003, num processo consistente de recuperação das taxas de ocupação, preços em alta e melhoria da rentabilidade”.

Para 2003, o Plano prevê investimentos da ordem de R$ 300 milhões – principalmente em melhoria da eficiência operacional – além de pontuais expansões na capacidade. R$ 7 milhões deverão ser destinados à ampliação na planta produtora de polipropileno instalada no pólo de Triunfo / RS. Serão 100 mil toneladas adicionais até o final deste ano. “É um investimento que terá que ser submetido ao Conselho de Administração. Ainda estamos olhando a questão do propeno”.

Grandes projetos, só no médio prazo, como a instalação de uma planta integrada produtora de eteno e polietileno a partir do gás boliviano – isso para o final da década. Grubisich conta que a companhia continua estudando a construção de uma planta de produção de polipropileno com capacidade de 350 mil toneladas/ano. “Não há nada definido, e Paulínia é uma das opções”.

Outra iniciativa será vender vários ativos não relacionados com sua atividade principal. Um banco de investimentos já foi contratado para gerir as vendas. “Os negócios que não remunerem vão ser desmobilizados, e o caixa usado para reduzir o endividamento”, disse o presidente da empresa, sem dar mais detalhes.

Grubisich limita-se a dizer que a Braskem não irá se desfazer de suas participações na Politeno (35%) e na Copesul (29,5%). “Politeno e Copesul estão alinhadas com nossa estratégia”.
Ed. 246 - Março de 2003
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