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Geração de caixa da
Braskem passa
de R$ 2 bi
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Em menos de seis meses a Braskem conseguiu reduzir seu endividamento
e aumentar a geração de caixa –duas de suas maiores preocupações.
O segredo? José Carlos Grubisich, o executivo que trocou uma importante
posição mundial na Rhodia pela presidência de uma companhia que estava
nascendo –mas que se projetava líder na região, com ativos avaliados
em R$ 12 bilhões, produção de 4,3 milhões de toneladas de produtos
petroquímicos, e um faturamento de R$ 8 bilhões.
Com a apresentação dos números relativos a 2002, o presidente conseguiu
o que muita gente achava impossível: elevar o índice de confiança
–retratado na valorização das ações da Braskem nos últimos dias.
Em 2002, a empresa concluiu a primeira etapa do processo de integração,
correu atrás de novas alternativas para suprimento de matérias-primas,
dobrou sua geração de caixa –vendendo até para seus concorrentes.
Tudo isso num cenário desfavorável, de variação cambial, aumento nos
preços das matérias-primas, restrições ao crédito e parada para manutenção.
“Os resultados apresentados demonstram o acerto do modelo de gestão
da Braskem, baseado na criação de valor, e confirmam o seu potencial
de crescimento”, conta Grubisich.
Nascida a partir da integração da unificação dos ativos de primeira
e segunda geração do pólo de Camaçari, a Braskem surge como líder
no mercado de termoplásticos na América Latina, responsável pela produção
de 50% de todo o PVC, de 36% do polipropileno e de 30% do polietileno
da região. Só em exportações, a receita chegou a US$ 415 milhões em
2002.
Contando os 137 dias de sua criação, a Braskem já acumulou R$ 75 milhões
–em bases anualizadas– das sinergias, do total de R$ 330 milhões identificados
durante a fase de modelagem do seu processo de integração. “O processo
de criação da Braskem tem trazido significativos ganhos de custo e
de competitividade. Isso está demonstrado nos resultados das sinergias”.
O alinhamento dos preços de venda em relação ao mercado internacional
e o aumento do volume de vendas elevaram a receita líquida da empresa
para R$ 7 bilhões. A geração operacional de caixa, de R$ 2,1 bilhões,
superou em 103% o montante de R$ 1 bilhão contabilizado no ano anterior.
A empresa vem trabalhando ainda na redução de seus custos de produção
– que em 2002 aumentaram 29% em relação ao ano anterior, motivado
principalmente pelo aumento de 106% no preço da nafta, em reais. A
Braskem vem comprando nafta com prazos de pagamento, em média, de
52 dias. Neste mês, por exemplo, a empresa adquiriu um carregamento
com prazo de 90 para o pagamento.
Cerca de 70% dos 4,2 milhões de toneladas de nafta consumida anualmente
pela Braskem são fornecidas diretamente pela Petrobras –o contrato
de fornecimento acertado com a Petrobras termina em 2007. O restante
é comprado de fornecedores da África, Caribe e Argentina. A matéria-prima
representou, no ano passado, 66% dos custos da empresa.
Mas a principal preocupação da empresa é alongar seu endividamento,
que no final do ano passado estava em R$ 6,815 bilhões – 69% dolarizada.
34% dessa dívida –pouco mais que a receita líquida advinda com a venda
de insumos básicos– tem prazo de vencimento ainda este ano. Estender
o perfil de vencimento da sua dívida é uma forma que a Braskem teria
para facilitar o acesso a novos financiamentos.
Plano quinqüenal
O Plano de Negócios da empresa para o período 2003-2007 estabelece
como metas a melhora significativa em sua performance operacional
e financeira. “O plano está alinhado com a melhoria da petroquímica
no mercado internacional. O setor petroquímico vai entrar, já em 2003,
num processo consistente de recuperação das taxas de ocupação, preços
em alta e melhoria da rentabilidade”.
Para 2003, o Plano prevê investimentos da ordem de R$ 300 milhões
– principalmente em melhoria da eficiência operacional – além de pontuais
expansões na capacidade. R$ 7 milhões deverão ser destinados à ampliação
na planta produtora de polipropileno instalada no pólo de Triunfo
/ RS. Serão 100 mil toneladas adicionais até o final deste ano. “É
um investimento que terá que ser submetido ao Conselho de Administração.
Ainda estamos olhando a questão do propeno”.
Grandes projetos, só no médio prazo, como a instalação de uma planta
integrada produtora de eteno e polietileno a partir do gás boliviano
– isso para o final da década. Grubisich conta que a companhia continua
estudando a construção de uma planta de produção de polipropileno
com capacidade de 350 mil toneladas/ano. “Não há nada definido, e
Paulínia é uma das opções”.
Outra iniciativa será vender vários ativos não relacionados com sua
atividade principal. Um banco de investimentos já foi contratado para
gerir as vendas. “Os negócios que não remunerem vão ser desmobilizados,
e o caixa usado para reduzir o endividamento”, disse o presidente
da empresa, sem dar mais detalhes.
Grubisich limita-se a dizer que a Braskem não irá se desfazer de suas
participações na Politeno (35%) e na Copesul (29,5%). “Politeno e
Copesul estão alinhadas com nossa estratégia”. |
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