|
O mercado de gases industriais
parece, enfim, ter encontrado seu espaço na esteira do recente crescimento
da atividade econômica no país, e está cada vez mais presente no dia-a-dia
da população, como na área hospitalar, alimentícia, têxtil, de combustíveis
e, num arroubo de importância tecnológica, até mesmo em lançamento de
foguetes com empresas nacionais disputando o fornecimento de hidrogênio
e oxigênio para um foguete americano que será lançado da base brasileira
de Alcântara-MA. Outra prova deste bom momento são os resultados da Withe
Martins em 2000, que teve seu faturamento consolidado de R$ 1,6 bilhão
e um investimento total de US$ 154 milhões. Para 2002 estão programados
investimentos de US$ 100 milhões – “são investimentos em capacidade de
produção, melhorias de sistemas, infraestrutura da companhia e melhorias
nos gastos com energia”, diz a direção da empresa.
Uma contribuição a este incremento é o estimado resultado de 5% no PIB
de 2001 e que provocou elevação de 10% nas vendas de gases, estimada em
US$ 600 milhões.
Já A Air Products, outro concorrente do setor, tem como objetivo, a partir
de utilização de uma tecnologia e com a sua linha de gases ultrapuros,
triplicar seu mercado de gases especiais no Brasil dentro dos próximos
cinco anos. Nada mal para uma empresa tem faturamento anual em torno de
US$ 5.7 bilhões e operações em 30 países, atuando no Brasil desde 1976.
Dentre os vários problemas já identificados para o crescimento do setor
está a rentabilidade operacional, normalmente mais baixa que no Exterior,
por causa das grandes distâncias entre clientes e do custo Brasil, o que
ocasionam a geração de contratos de curta duração.
A previsão de crescimento do setor é de 10% a 15% e isso é uma notícia
extremamente alentadora para um mercado que vinha sofrendo com constantes
quedas. Agora com a recuperação internacional do produto, o reflexo no
Brasil é inevitável, dando estabilidade ao preço por aqui.
Daí avaliar que a indústria de gases está completando um ciclo de aumento
de capacidade produtiva. Juntamente com isso, vem a atualização tecnológica
de fábricas. Reconhecidamente como a maior produtora nacional, a White
Martins/Praxair chegou a gerir um plano de renovação do seu parque produtivo,
de modo a reduzir custos e ampliar a oferta.
Em 2001 foram inauguradas as unidades de separação de Joinville-SC e Americana-SP,
para 400 toneladas por dia (tpd) de gases, já contando com eletricidade
a custos menores pelas negociações com as operadoras.
A opinião do mercado é que há uma superoferta do gás provocada, em parte,
por algumas cervejarias que instalaram unidades cativas. O fato é que
o mercado das tubaínas está crescendo muito.
Já na área hospitalar, o que se apresenta é uma queda em volume, relacionada
a investimentos de clientes para controlar desperdícios e que conta com
apoio dos fornecedores. No caso do gás hélio (de reconhecida importante
para exames de ressonância magnética nuclear) a opinião, em geral, apresenta
custos elevados para transporte no Brasil, e é considerado pouco atrativo.
Os gases especiais - de altíssima pureza - têm uma expressão importante
no mercado, pela tecnologia avançada de fabricação. Um exemplo disso é
o hidrogênio, cotado como possível substituto dos derivados de petróleo
como combustível e que representa excelente potencial.
A vez do on site e do CO2
Dois tipos de vendas cresceram neste novo momento dos gases industriais.
O de sistemas on site, com o ritmo de crescimento de instalações preparadas
para esta venda e CO2 fragmentado, já que o mercado de gás carbônico no
Brasil está cada vez mais dividido. Esta fragmentação se deve ao fato
de 1996 a White Martins/Praxair ter comprado a Liquid Carbonic, que detinha
mais de 90% do mercado não-cativo do gás. Depois disso, todas as concorrentes
investiram em capacidades próprias, conquistando fatias de mercado.
A tendência é mundial e existe grande mercado potencial para o CO2 também
na siderurgia. Na Europa o gás é usado para reduzir as emissões de NOX,
o que quase não é feito por aqui. Há também um forte crescimento do uso
do CO2 no tratamento de efluentes, onde o gás é usado para acerto de pH
na existência de ácidos fortes. O gás carbônico gera possibilidade de
baixar o pH de forma mais suave sem prejudicar a saúde dos trabalhadores.
Nas unidades on site, o que ocorre é que as empresas passaram a contar
com diversos tamanhos e métodos de separação com base em processos adsortivos
ou membranas, esses sistemas conquistaram boa fatia de mercado no País.
A White Martins/Praxair já instalou mais de cem desses equipamentos. Quase
30% de todo o nitrogênio vendido no mundo vem de unidades on site. No
Brasil, o porcentual não passa de 10%. A empresa está inaugurando este
ano mais uma unidade de serviços integrados em Manaus e pretende que este
segmento, em 2004, responda por 25% do faturamento do empresa.
Meio Ambiente
Não apenas de visão no lucro tem sobrevivido a indústria de gases. A preocupação
com o Meio Ambiente tem encontrado espaço neste mercado com o que se pode
considerar uma boa receptividade das empresas, de um modo geral, para
o oxigênio puro nos tanques para tratamento aeróbio de efluentes. Também
na indústria de papel e celulose, há um espaço para a eliminação total
do cloro como alvejante. Com isso, as seqüências da linha ECF, livres
de cloro elementar, estão tendo boa aceitação nos principais mercados,
inibindo investimentos para ampliar o uso de ozônio e incrementando as
vendas de oxigênio para produção de celulose.
Já a Aga disponibiliza para as refinarias de petróleo uma ampla gama de
gases puros e misturas de gases especiais, que podem ser aplicados para
controle de processo, análise em laboratórios, higiene industrial e monitoramento
das emissões.
Os laboratórios deste segmento utilizam uma grande variedade de instrumentos
analíticos para atingir seus objetivos de qualificação de produtos e processos.
A empresa fornece também os gases de arraste, os gases combustíveis e
auxiliares para instrumentos analíticos, e gases puros para pesquisa e
laboratórios.
Também são utilizados gases especiais para controle da combustão. O monitoramento
das emissões de oxigênio, dióxido de carbono e hidrocarbonetos assegura
uma ignição eficiente e uma completa combustão dos hidrocarbonetos, reduzindo
a presença de contaminantes perigosos.
As legislações regionais, nacionais e internacionais regulamentam rigidamente
as atividades das plantas petroquímicas, visando garantir o ambiente de
trabalho dos operadores e restringir a quantidade de contaminantes emitidos
e lançados à atmosfera. Sensores sanitários e de segurança, localizados
ao longo da unidade, alertam as pessoas sobre situações potencialmente
perigosas, como vazamentos de gases inflamáveis, tóxicos ou ainda deficiência
de oxigênio em ambientes fechados. A Aga oferece a seus clientes a mistura
gasosa ideal para os alarmes de limites de explosão e para os detectores
de vazamento.
|