Edição 234 – Fevereiro de 2002

Gases Industriais: uma nova realidade no mercado nacional
Planta do Linde Gás

O mercado de gases industriais parece, enfim, ter encontrado seu espaço na esteira do recente crescimento da atividade econômica no país, e está cada vez mais presente no dia-a-dia da população, como na área hospitalar, alimentícia, têxtil, de combustíveis e, num arroubo de importância tecnológica, até mesmo em lançamento de foguetes com empresas nacionais disputando o fornecimento de hidrogênio e oxigênio para um foguete americano que será lançado da base brasileira de Alcântara-MA. Outra prova deste bom momento são os resultados da Withe Martins em 2000, que teve seu faturamento consolidado de R$ 1,6 bilhão e um investimento total de US$ 154 milhões. Para 2002 estão programados investimentos de US$ 100 milhões – “são investimentos em capacidade de produção, melhorias de sistemas, infraestrutura da companhia e melhorias nos gastos com energia”, diz a direção da empresa.
Uma contribuição a este incremento é o estimado resultado de 5% no PIB de 2001 e que provocou elevação de 10% nas vendas de gases, estimada em US$ 600 milhões.
Já A Air Products, outro concorrente do setor, tem como objetivo, a partir de utilização de uma tecnologia e com a sua linha de gases ultrapuros, triplicar seu mercado de gases especiais no Brasil dentro dos próximos cinco anos. Nada mal para uma empresa tem faturamento anual em torno de US$ 5.7 bilhões e operações em 30 países, atuando no Brasil desde 1976.
Dentre os vários problemas já identificados para o crescimento do setor está a rentabilidade operacional, normalmente mais baixa que no Exterior, por causa das grandes distâncias entre clientes e do custo Brasil, o que ocasionam a geração de contratos de curta duração.
A previsão de crescimento do setor é de 10% a 15% e isso é uma notícia extremamente alentadora para um mercado que vinha sofrendo com constantes quedas. Agora com a recuperação internacional do produto, o reflexo no Brasil é inevitável, dando estabilidade ao preço por aqui.
Daí avaliar que a indústria de gases está completando um ciclo de aumento de capacidade produtiva. Juntamente com isso, vem a atualização tecnológica de fábricas. Reconhecidamente como a maior produtora nacional, a White Martins/Praxair chegou a gerir um plano de renovação do seu parque produtivo, de modo a reduzir custos e ampliar a oferta.
Em 2001 foram inauguradas as unidades de separação de Joinville-SC e Americana-SP, para 400 toneladas por dia (tpd) de gases, já contando com eletricidade a custos menores pelas negociações com as operadoras.
A opinião do mercado é que há uma superoferta do gás provocada, em parte, por algumas cervejarias que instalaram unidades cativas. O fato é que o mercado das tubaínas está crescendo muito.
Já na área hospitalar, o que se apresenta é uma queda em volume, relacionada a investimentos de clientes para controlar desperdícios e que conta com apoio dos fornecedores. No caso do gás hélio (de reconhecida importante para exames de ressonância magnética nuclear) a opinião, em geral, apresenta custos elevados para transporte no Brasil, e é considerado pouco atrativo. Os gases especiais - de altíssima pureza - têm uma expressão importante no mercado, pela tecnologia avançada de fabricação. Um exemplo disso é o hidrogênio, cotado como possível substituto dos derivados de petróleo como combustível e que representa excelente potencial.

A vez do on site e do CO2
Dois tipos de vendas cresceram neste novo momento dos gases industriais. O de sistemas on site, com o ritmo de crescimento de instalações preparadas para esta venda e CO2 fragmentado, já que o mercado de gás carbônico no Brasil está cada vez mais dividido. Esta fragmentação se deve ao fato de 1996 a White Martins/Praxair ter comprado a Liquid Carbonic, que detinha mais de 90% do mercado não-cativo do gás. Depois disso, todas as concorrentes investiram em capacidades próprias, conquistando fatias de mercado.
A tendência é mundial e existe grande mercado potencial para o CO2 também na siderurgia. Na Europa o gás é usado para reduzir as emissões de NOX, o que quase não é feito por aqui. Há também um forte crescimento do uso do CO2 no tratamento de efluentes, onde o gás é usado para acerto de pH na existência de ácidos fortes. O gás carbônico gera possibilidade de baixar o pH de forma mais suave sem prejudicar a saúde dos trabalhadores. Nas unidades on site, o que ocorre é que as empresas passaram a contar com diversos tamanhos e métodos de separação com base em processos adsortivos ou membranas, esses sistemas conquistaram boa fatia de mercado no País. A White Martins/Praxair já instalou mais de cem desses equipamentos. Quase 30% de todo o nitrogênio vendido no mundo vem de unidades on site. No Brasil, o porcentual não passa de 10%. A empresa está inaugurando este ano mais uma unidade de serviços integrados em Manaus e pretende que este segmento, em 2004, responda por 25% do faturamento do empresa.

Meio Ambiente
Não apenas de visão no lucro tem sobrevivido a indústria de gases. A preocupação com o Meio Ambiente tem encontrado espaço neste mercado com o que se pode considerar uma boa receptividade das empresas, de um modo geral, para o oxigênio puro nos tanques para tratamento aeróbio de efluentes. Também na indústria de papel e celulose, há um espaço para a eliminação total do cloro como alvejante. Com isso, as seqüências da linha ECF, livres de cloro elementar, estão tendo boa aceitação nos principais mercados, inibindo investimentos para ampliar o uso de ozônio e incrementando as vendas de oxigênio para produção de celulose.
Já a Aga disponibiliza para as refinarias de petróleo uma ampla gama de gases puros e misturas de gases especiais, que podem ser aplicados para controle de processo, análise em laboratórios, higiene industrial e monitoramento das emissões.
Os laboratórios deste segmento utilizam uma grande variedade de instrumentos analíticos para atingir seus objetivos de qualificação de produtos e processos. A empresa fornece também os gases de arraste, os gases combustíveis e auxiliares para instrumentos analíticos, e gases puros para pesquisa e laboratórios.
Também são utilizados gases especiais para controle da combustão. O monitoramento das emissões de oxigênio, dióxido de carbono e hidrocarbonetos assegura uma ignição eficiente e uma completa combustão dos hidrocarbonetos, reduzindo a presença de contaminantes perigosos.
As legislações regionais, nacionais e internacionais regulamentam rigidamente as atividades das plantas petroquímicas, visando garantir o ambiente de trabalho dos operadores e restringir a quantidade de contaminantes emitidos e lançados à atmosfera. Sensores sanitários e de segurança, localizados ao longo da unidade, alertam as pessoas sobre situações potencialmente perigosas, como vazamentos de gases inflamáveis, tóxicos ou ainda deficiência de oxigênio em ambientes fechados. A Aga oferece a seus clientes a mistura gasosa ideal para os alarmes de limites de explosão e para os detectores de vazamento.