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Com a recente descoberta pela Petrobras
de petróleo leve na Bacia de Santos – de 35 graus – no bloco BS-500, sob
uma lâmina d’água de 1.500 metros, a Agência Nacional de Petróleo acredita
que empresas estrangeiras se sentirão atraídas para disputar os blocos
que vai ofertar neste mês, na terceira rodada de leilão de licenças de
exploração e produção de petróleo na história do Brasil. Um dos fatores
determinantes para o interesse é a impressão que o petróleo brasileiro
tem no mercado. Dizem que ele é geralmente muito mais pesado, 28 graus
na escala da API, em média. Mesmo com esta descoberta de petróleo leve,
mais fácil de ser refinado e mais valioso, a ANP prefere não fazer projeções
quanto aos resultados que serão obtidos na Terceira Rodada de Licitações.
Segundo a Agência, com a realização das duas rodadas iniciais, o processo
se tornou mais conhecido e está aumentando o interesse das empresas, por
verem que é algo realmente sério.
O Edital com texto final foi lançado no último dia 4 de maio pela ANP,
e prevê a contratação de empresas ou consórcios de empresas, para a execução
de atividades de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e
gás natural em 53 blocos, definiu a data do evento para os dias 18, 19
e 20 de junho no Hotel Sheraton Rio. A ANP concluiu duas Rodadas de Licitações
em 1999 e 2000, quando foram concedidos 12 e 21 blocos, respectivamente.
Em 19 de outubro de 2000, anunciou a Terceira Rodada de Licitações. O
edital foi elaborado de acordo com as disposições da Portaria ANP nº 174
de 25 de outubro de 1999 e demais disposições legais pertinentes e substitui
todas as informações anteriores fornecidas pela ANP a respeito da Terceira
Rodada de Licitações de blocos, incluindo o Pré-Edital e o website www.Brazil-Round3.com.
Na primeira rodada 38 empresas participaram - representando 12 países
- e foram habilitadas. Na segunda rodada um número expressivo de empresas
também esteve presente.
Já na terceira, os indicadores são mais favoráveis: 46 empresas manifestaram
interesse em participar da Terceira Rodada, sendo que, desse total, 43
efetivamente pagaram a taxa de participação, gerando uma arrecadação de
US$ 10.327.500, uma arrecadação registra recorde de venda dos pacotes
de dados. Duas empresas permitiram a divulgação de seus nomes como interessadas
na licitação, a Ocean Internacional e a Statoil. Junto com outras empresas
elas vão disputar um número recorde de blocos desde a primeira rodada.
A seleção dos 53 blocos oferecidos na Terceira Rodada pela ANP baseou-se
no conhecimento de dados levantados em pesquisas sísmicas por empresas
especializadas (spec survey), e também nas sugestões feitas pelas próprias
empresas de petróleo, que tiveram oportunidade de informar à agência os
blocos de seu interesse. Nas duas primeiras foram, 27 e 23 áreas, respectivamente.
Os blocos da 3ª Rodada estão localizados em doze bacias sedimentares do
país – Santos, Campos, Espírito Santo, Jequitinhonha, Camamu-Almada, Sergipe-Alagoas,
Paraná, Recôncavo, Potiguar, Ceará, Barreirinhas e Pará-Maranhão – sendo
dez em terra e 43 no mar. A maior parte dos blocos – 34 – está nas bacias
de Campos, Santos e Espírito Santo, a maior região produtora e exploratória
do País. Os valores das ofertas mínimas, denominadas de Bônus de Assinatura,
para os 53 blocos que serão oferecidos na Terceira Rodada de Licitações,
variam de acordo com a classificação da empresa operadora, sendo de R$
100 mil para os blocos que requerem operador “C”, R$ 200 mil para os que
requerem operador “B” e R$ 300 mil para os que requerem operador “A”.
Os operadores do tipo “C” são capacitados para exploração e produção em
blocos terrestres de menor complexidade técnica e financeira; os operadores
“B” para qualquer área terrestre e áreas marítimas localizadas em águas
rasas; e os operadores “A” podem operar em qualquer tipo de área, incluindo
as marítimas localizadas em águas ultraprofundas. Dos 53 blocos que serão
oferecidos na Terceira Rodada de Licitações, oito requer operador “C”,
quatorze operador “B” e 31 operador “A”.
Os valores da Caução de Garantia de Oferta – a ser fornecida pelas empresas
antes da apresentação de ofertas, para garantir a obrigação do concorrente
vencedor da licitação de assinar o contrato de concessão da área – são
de US$ 500 mil para os blocos que requerem operadores “A” e “B” e de US$
100 mil para os blocos com operador “C”.
Pelos cálculos da agência
a área média dos blocos oferecidos na Terceira Rodada é de 1.695 km2,
uma extensão menor que na Primeira Rodada – 4.895 km2 – e na Segunda Rodada
– 2.577 km2. Explica-se a redução da extensão dos blocos a partir de um
maior conhecimento das áreas obtido pela ANP.
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Multas
menores por desnacionalização
Uma das medidas tomadas pela ANP para a terceira rodada de licitações
vai agradar em cheio as oil companies. Segundo a ANP, as empresas que
não cumprirem com o percentual proposto de aquisição de bens e serviços
nacionais terão multas mais amenas. Segundo a Agência, o objetivo é incentivar
as empresas participantes a aumentar o percentual de nacionalização, já
que a multa será proporcionalmente menor para as empresas com maior investimento
em conteúdo local. A regra de pontuação para as empresas estabelece que
o percentual de bens e serviços locais que as empresas vierem a adquirir
durante a exploração serão levados em consideração e, caso elas não cumpram
o proposto, pagarão multas que incidirão na diferença do que estiver faltando.
Para fixar definitivamente os parâmetros da mudança, a ANP está criando
uma metodologia para definir o que é índice de nacionalização em serviço
onde não basta mais só estar instalada no país. Segundo a Assessoria de
Imprensa, a ANP está preparando uma portaria para definir o índice de
nacionalização dos serviços, mas já se pode adiantar que entende também
por nacionalização a geração de empregos internos que possam vir a acontecer
em decorrência da aquisição dos blocos.
Pequenas empresas recebem incentivo
Uma das novidades desta licitação é a possibilidade de participação de
pequenas e médias empresas, incentivadas pela própria a ANP, ao permitir
que possam participar da disputa companhias com patrimônio líquido mínimo
de R$ 1 milhão – na rodada anterior o mínimo exigido era de US$ 1 milhão.
A possibilidade de se unir a outra parceira e formar consórcios com patrimônio
líquido de R$ 6 milhões, dá a estas empresas aptidão para disputar oito
blocos terrestres, em Espírito Santo, Recôncavo e Potiguar. Técnicas como
estas que estão definidas no novo edital fazem parte da estratégia da
ANP para estimular novas tecnologias e ampliar o perfil de investimentos
no setor.
Pequenas empresas também poderão participar como operadoras em uma categoria
especial – bloco C –, formada por campos maduros e bacias terrestres,
que apresentam custos reduzidos. Porém, não podem participar da disputa
dos 45 blocos restantes, nas categorias A e B, que só podem ser adquiridos
por consórcios que tenham um patrimônio líquido de, no mínimo, R$ 20 milhões.
Expectativas para a próxima rodada
Até a presente data, duas rodadas internacionais de licitação de blocos
exploratórios foram organizadas pela ANP.
A Primeira Rodada de Licitação de blocos (Brazil Round 1) foi realizada
em junho de 1999. O governo brasileiro arrecadou aproximadamente US$ 300
milhões em bônus, como resultado do processo. Dadas às condições de mercado,
especialmente do preço do petróleo, que vigoraram naquele período, essa
rodada pôde ser considerada bastante bem sucedida.
A Segunda Rodada de Licitação de blocos (Brazil Round 2) deu-se em um
momento extremamente mais favorável, e com condições já incrementadas
em virtude do aprendizado com o primeiro processo, o que levou os executivos
das empresas e o governo a proclamar um sucesso ainda maior.
O diretor geral da ANP, David Zylbersztajn, declarou que o governo estava
“francamente surpreso e satisfeito pelo interesse demonstrado pelo mercado
no processo”. A surpresa do leilão foi a participação das companhias brasileiras,
que subiu de 26% no ano anterior para 40%. As propostas da Petrobras,
incluindo a sua participação em outros consórcios, somaram R$ 165,1 milhões,
equivalentes a 35,26% do total de bônus ofertados. As companhias que lideraram
os pagamentos de bônus foram Shell, com R$ 85,7 milhões; Chevron, com
R$ 69,5 milhões (14,83%) e BG, com R$ 64,2 milhões (13,71%). As companhias
privadas brasileiras combinadas (Construtora Norberto Odebrecht SA, Rainier
Engineering/Marítima, Queiroz Galvão e Grupo Ipiranga) foram responsáveis
por 1,6% do total de ofertas em bônus.
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